Uma pitada de mim
É quarentena. Como toda boa canceriana eu estou feliz por poder ficar reclusa na minha concha sendo que ninguém pode me julgar por isso, pelo menos não sem que isso signifique declarar guerra contra boa parte dos cientistas. Apesar disso, ainda me faz falta poder sair e ver as pessoas que me são tão caras e que não moram na minha concha, ao menos não fisicamente.
Pensando em driblar o tédio, a saudade, a ansiedade e tudo o que essa onda desconhecida traz, me rendi à tentação de escrever. Então veio a pergunta: escrever o que? Para quem? Depois de um tempo considerável veio a resposta: sobre tudo e para todos e ninguém.
Confuso? Não. Vou explicar: nós temos a mania de compartimentar tudo, vendo a vida como uma sequência de faixas coloridas (ou não) muito bem delimitadas. Bobagem. Somos degradê, somos aquarela. Ninguém sabe onde acaba a vontade de cozinhar e começa a ideia de redecorar a casa, porque cozinhamos na cozinha que nós decoramos ouvindo músicas que escolhemos e filosofando sobre a vida enquanto bebemos algum tipo de álcool e tudo isso se destila dentro de nós.
Por isso logo que comecei a criar esta página o nome me veio à mente, porque quero jogar uma pitada de tudo que existe em mim, tudo que existe em cada um ou em ninguém. É uma pitada de um pote de tempero que mistura pimenta, sal, erva e açúcar. É uma afronta às faixas bem delimitadas que imaginamos traçar na vida.
Mas depois que pensei nisso percebi que “pitada” me remete muito a “pitar” e ninguém pita sozinho, se pita junto. Talvez “pitar” seja a coisa mais humana que existe porque é compartilhar mas também pode ser solitário, é o mau que te faz sentir bem. Penso que aqui possa ser um “lugar” para se ter uma “pitada de gente”, se pitar como só gente pita.
Escrevo pra quem quiser ler, pra quem buscar culinária, música, literatura, filosofia etílica e barata, contos e o que mais me der vontade de escrever. Se vai dar certo, não sei, mas o que é dar certo?
Seja bem vinda ou bem vindo a este espaço multicolorido, e encontre a cor com que você mais se identifica agora, sendo quem você é neste momento e depois... depois muda de página e sinta o sabor de ser o outro eu que você é.
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